20 janeiro, 2007

Botinada - A História do Punk no Brasil (2006)

Todo mundo sabe que eu gosto de Heavy Metal e música pesada, mas vamos ser sinceros: o Brasil é o país do pagode!

O pessoal pode ficar mordido o quanto for, mas MPB, Metal, Pop e outros são músicas de quem tem grana e de quem pode consumir. O problema é que a esmagadora maioria da população brasileira é mais pobre e enferrujada que os trilhos da RFF (Rede Ferroviária Federal. Lembra dos trenzões vermelhos?). Como ela não tem dinheiro nem para comer, o que dizer de ir ao cinema, comprar revistas e, principalmente, consumir música.
Talvez por isso o Punk puro, feito exclusivamente pelo pessoal da periferia, se deu tão bem.

Não é a toa que o que faz sucesso aqui é sertanejo, pagode, funk, lambada e outras tralhas. Todos os genêros devidamente consumidos em camelôs, é claro. Ou você acha que esse pessoal vai na Saraiva Megastore ou na Fnac?
Pô, abre o olho aí meu!

Ao abrir um jornal, você verá nomes como Caetano Lixoloso, Girberto "éca" Gil, Marisa Desmonte e outras cácas. Ou bandas pop como Skrank, Baronesa Vermelha, CPM 22 (e RG de 17), Cansei de ser Sexy (mas somos feias paca!) e por aí vai. Na boa, vocês acham mesmo que isso vende? Ah sim, pode vender, mas os fodões mesmo são coisas como Magal, Gretchen, Roberto Carlos, sertanejo em geral (também chamado de boléro eletrônico), funk das cachorras e tigrões, e por aí vai.
Na boa, mas se alguém me mostrar qual dos artistas de pop e MPB citados anteriormente conseguiu vender 7 milhões de cópias - contagem oficial, imaginem os piratas! - de um único disco (Gretchen, com My Name Is Gretchen, de 1979), sou todo ouvidos.

No meio disso tudo teve o punk, música bastante prolifera aqui no Brasil, sendo feita em todos os cantos da periferia. A parte citada neste documentário de 2006, vai de 1976 até 1984, justamente onde o punk brasileiro fez juz ao lema "faça você mesmo". Músicos pobres, sem instrumentos para tocar e que não sabiam fazê-lo direito. Naquela época a indústria de instrumentos músicais nacionais engatinhava e quem teve uma guitarra ou bateria nacional daquele período lembra da "fantástica qualidade" deles.
Talvez por isso a música feita por eles saiu tão boa. :D

O resto, como dizem, é história.
E o punk não é mais feito por gente pobre e sim por rica.
Mundo estranho esse...

Em 192Kbps



01 - Oi, Tudo Bem? - Garotos Podres
02 - Nada - Olho Seco
03 - Pânico em SP - Inocentes
04 - Vivo na Cidade - Cólera
05 - Agressão / Repressão - Ratos
06 - Festa Punk - Replicantes
07 - O Punk Rock Não Morreu - Lixomania
08 - Desemprego - Fogo Cruzado
09 - Restos de Nada - Restos de Nada
10 - Trabalhadores Brasileiros - Espermogramix
11 - John Travolta - AI-5
12 - Bem Vindos ao Novo Mundo - Condutores de Cadáver
13 - Câncer - Hino Mortal
14 - Brasil Desordem e Regresso - Rephugos

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4 comentários:

Mestre Splinter disse...

Boa!!!

GANJACORE disse...

MUITO BOM ESTE POST!SÓ BANDA OLD SCHOOL,MAS O SEU COMENTÁRIO É QUE FOI EXCELENTE,BASTA VER QUANTO VENDEM AS QUEBRA BARRACO E OS TIGRÕES PARA COMPROVAR.O PAGODE E O SERTANOJO SÃO EMPURRADOS GOELA ABAIXO POR TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS.ATÉ A PIRATARIA QUE DEVERIA FALIR OS MORFÉTICOS ACABA AJUDANDO A DIFUNDÍLOS!!

Barbarian disse...

Grande post! Lembro sim da qualidade dos instrumentos nacionais... minha guita da Magnus com os trastes fora de posição, os pratos da bateria que faziam som de lata de tinta... qualquer dia te mando uma mp3 disso pra vc rir!!!

hazzamanazz disse...

Hehehehe...eu tive uma bateria Gope, com "pratos" Gope!!! :D

Se é que dá pra chamar aquele pedaço de porta de carro batido, desmontado e daí curvado de prato.

Mas sejamos sinceros, os baixos da Gianinni até que quebravam um galho, não eram ruins.