11 fevereiro, 2007

Violência é Real

Carlos Vândalo já tinha avisado. Quem mandou não escutarem...
Violência é Real (Dividir e Conquistar, circa 1988)

As coisas começam sem saber direito o porquê
Hoje você passa e não vê
Que amanhã vai ser você a próxima vítima
Que não tem culpa dessa situação

Viajando na estrada, um ruído seco
Dentro de um ônibus atiraram em um inocente
Por pura ignorância
Ninguém esperava sentir como a vida é tão fugaz
E a morte ronda todo cheiro de carniça

Primeiro dia do ano novo
Primeiro dia de nossas velhas vidas
A realidade consegue ser
Pior do que a pior de nossas fantasias
Você sente que isso ainda não te atinge
Se sente seguro em um casulo de seda

Os passageiros se organizaram e socorreram o ferido
Sem nunca terem se encontrado antes
Um temeu pelo outro

Você descobre o que é solidariedade nos momentos mais difíceis
Pelo menos uma vez eu tive esperança
E como é bom acreditar nisso

Até quando vai durar
Esperar morrer para agir?
Lutar, nossa obrigação para mudar
Não é história, cara
Violência é real

Esses exemplos do presente precisam mudar o rumo do futuro
Terminar bem aliviou nossas almas mas deixou uma questão no ar
Se deixarmos ficar como está
Nossa vez também vai chegar
Porque o que destrói a raça humana é a incompreensão de ser humano
 

3 comentários:

Michel disse...

Carlos Vândalo era o melhor letrista do metal tupiniquim (vide tmbém "Velhice") e mais provocador. Antes dos Sarcófagos da vida ele já gritava PCD nos shows...

E agora ele só quer ser Carlos Lopes, se vestir de cor-de-rosa e tocar música louca com nomes como "Usina Le Blond". Porra...

hazzamanazz disse...

Carlos "Vândalo" Lopes tem o direito de ser o que quiser, até puta de cabaré, tamanha coisa ele fez pelo Metal brasileiro. Inclusive tentando deixá-lo profissional, para criar um mercado, coisa que ele não conseguiu.

Deixa o homem fazer o que ele gosta, ele merece. ;-)

Michel disse...

Concordo também, não me entenda mal.

Só que a gente sempre é saudosista...

O que você diz sobre ele não conseguir criar um mercado vale uma boa discussão. Eu li uma entrevista que ele comenta que a galera de periferia conseguiu muito mais com o rap, criando uma unidade social e uma filosofia atrelada à própria música.

ISSO NÃO ACONTECEU COM O METAL NEM COM O ROCK!

Agora voltando à Dorsal: os caras tiveram reconhecimento mundial (eu me lembro que vi na Alemanha em 1990 o Searching for the Light sendo disputado a tapa e 50% mais caro que os outros discos), são os pais do death, do black e do metalcore no Brasil, têm mais carinho e respeito do fãs do que qualquer uma banda e nunca tiveram medo de experimentar novos sons.

O que faltou? Só grana, mas não atitude e dignidade (esse "só" ficou foda...). Porra, eu não quero acreditar que o Carlos Lopes vai ficar dizendo que aposentou o "Vândalo" e encheu o saco. Isso tá bom pro Ritchie ou pro Lobão!

O Carlos Lopes tem essa cruz chamada Dorsal para carregar, foi ele que criou os fãs e os fez acredir naquilo que falava.

E ele ainda é feio pra caralho para ser puta de cabaré... ele devia era ser prefeito do Rio de Janeiro - com o meu voto!